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I
com um olhar firme
e pleno de escuma
alcançamos essa suprema
forma de solidão:
o sal está nos teus cabelos
languidamente acariciados pelo vento
que apaga as cicatrizes por nós deixadas
no areal e no tempo
somos invadidos por
um calmo silêncio de rosas
um tumulto de sussurros
o rugido marinho que longinquamente
desaba a nossos pés
sou assombrado por essa entidade,
alguém como tu:
- uma líquida mansidão de fêmea,
essa, que me alcança
e me seduz num sussurro.

II
ouve
um inevitável abismo
canta por mim.
ele sim, do nada o entendeu
a cada palavra e a cada gesto
me aproximo em consciência
desse vácuo
longe de olhares
longe das palavras
perto da suavidade de seda
do esquecimento.
sou um novo Midas
a cujo subtil gesto
a realidade se desfaz em pó.
há muito que perdi o suave regaço
do espaço e do tempo que o rodeia
as palavras não têm lugar
ou mesmo cabimento
num livro tornado em branco
pelo esgar do esquecimento.
eis quando Te esqueço
e me entrego de peito descoberto
à melíflua voz do oblívio.
ouve
canta por mim.
somos da mesma matéria
da tenra inépcia do vazio
recebê-lo-ei de braços pendentes
em penitência
e receberei o meu legado.
Harpad
(2005)

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